Introdução
A importação pode representar uma excelente oportunidade para empresas de e-commerce que desejam ampliar o catálogo, buscar fornecedores internacionais e aumentar a competitividade. Entretanto, importar produtos envolve muito mais do que encontrar um fornecedor no exterior e realizar uma compra.
A operação exige atenção a impostos, documentos, classificação fiscal, câmbio, logística e registros contábeis. Além disso, qualquer erro durante o processo pode aumentar custos, atrasar a entrada da mercadoria ou gerar problemas fiscais.
Por isso, antes de importar, o empreendedor precisa entender como funciona o processo e quais informações devem ser acompanhadas.
Neste artigo, você vai conhecer os principais impostos e documentos envolvidos na importação, além dos cuidados contábeis que podem ajudar o e-commerce a manter a operação organizada e lucrativa.
Como funciona a importação para e-commerce?
A importação acontece quando uma empresa brasileira adquire mercadorias de fornecedores localizados no exterior para entrada e comercialização no Brasil.
De forma simplificada, o processo envolve etapas como:
- escolha do fornecedor;
- definição dos produtos;
- classificação fiscal;
- negociação da compra;
- contratação do transporte;
- registro da operação;
- despacho aduaneiro;
- pagamento dos tributos;
- desembaraço da mercadoria;
- entrada do produto no estoque.
Entretanto, cada operação pode apresentar características próprias.
Por isso, o planejamento deve acontecer antes da compra. Afinal, conhecer previamente os custos e as exigências evita que a empresa descubra problemas somente quando a mercadoria já estiver em processo de entrada no país.
Quais impostos podem incidir sobre a importação?
A importação pode envolver diferentes tributos, dependendo da mercadoria e das características da operação.
Entre os principais estão:
- Imposto de Importação, ou II;
- Imposto sobre Produtos Industrializados, ou IPI;
- PIS/Pasep-Importação;
- Cofins-Importação;
- ICMS;
- outros encargos e despesas relacionados à operação.
Além disso, as alíquotas e regras podem variar conforme o produto, o NCM, a origem da mercadoria e outras condições.
Portanto, o e-commerce precisa realizar uma análise específica antes de concluir a importação.
Imposto de Importação
O Imposto de Importação incide sobre determinadas mercadorias estrangeiras que entram no país.
A classificação fiscal do produto possui papel importante na definição da tributação. Por isso, o NCM precisa ser identificado corretamente.
Uma classificação inadequada pode resultar em cálculo incorreto dos tributos e criar problemas durante o processo de importação.
Além disso, o valor do imposto precisa ser considerado no planejamento financeiro da operação.
IPI na importação
O IPI também pode incidir sobre determinados produtos importados.
A tributação depende da classificação fiscal e das características da mercadoria.
Para o e-commerce, essa informação é importante principalmente na formação do custo do estoque.
Dependendo do regime tributário e da operação, a empresa também precisa analisar o tratamento dos créditos relacionados ao imposto.
Por isso, o empreendedor deve avaliar o impacto do IPI antes de definir o preço de venda.
PIS-Importação e Cofins-Importação
As contribuições de PIS/Pasep-Importação e Cofins-Importação também podem integrar o custo tributário da operação.
Entretanto, o cálculo e o tratamento fiscal dependem das características da empresa e da importação.
Dessa maneira, o empreendedor precisa considerar essas contribuições na simulação do custo total.
Caso contrário, poderá acreditar que determinada importação é barata quando, na realidade, apresenta uma margem muito menor após todos os tributos.
ICMS na importação
O ICMS merece atenção especial porque a importação pode gerar sua incidência no momento da entrada da mercadoria.
Além disso, a legislação do ICMS é estadual. Portanto, a empresa precisa considerar as regras aplicáveis ao estado envolvido na operação.
O tratamento também pode variar conforme o produto, o regime tributário e outras características.
Por isso, antes de importar, o ideal é avaliar o impacto do ICMS no custo final da mercadoria.
Qual é a importância do NCM?
O NCM identifica a classificação fiscal do produto e influencia diversos aspectos da operação.
Entre eles, podem estar:
- alíquotas de tributos;
- tratamentos fiscais específicos;
- exigências administrativas;
- regras de importação;
- controles relacionados à mercadoria.
Consequentemente, uma classificação incorreta pode gerar problemas fiscais e financeiros.
Por isso, não é recomendável escolher o NCM apenas observando a descrição comercial do produto.
A empresa precisa analisar tecnicamente as características da mercadoria e verificar a classificação adequada.
Quais documentos são importantes na importação?
A documentação é uma das partes mais importantes do processo.
Entre os documentos e registros que podem fazer parte de uma operação de importação estão:
- fatura comercial;
- conhecimento de transporte;
- packing list;
- documentos relacionados ao despacho aduaneiro;
- comprovantes de pagamento;
- documentos cambiais;
- Declaração de Importação ou documento equivalente aplicável à operação;
- nota fiscal de entrada;
- comprovantes dos tributos pagos.
Cada documento possui uma finalidade específica.
Por isso, manter essa documentação organizada facilita tanto o controle financeiro quanto a escrituração contábil e fiscal.
A nota fiscal de entrada na importação
A empresa precisa registrar corretamente a entrada da mercadoria no Brasil.
Nesse processo, a nota fiscal de entrada possui papel importante para documentar a entrada dos produtos no estabelecimento.
Além disso, as informações da nota precisam estar coerentes com os documentos da operação.
Por exemplo, valores, quantidade, descrição dos produtos, NCM e demais informações fiscais devem ser conferidos.
Dessa forma, a empresa evita divergências entre a documentação da importação, o estoque e a contabilidade.
Como calcular o custo de importação?
O custo de uma importação não corresponde apenas ao valor pago ao fornecedor.
Para entender o custo real, a empresa precisa considerar diferentes componentes.
Entre eles:
- valor da mercadoria;
- frete internacional;
- seguro;
- impostos;
- despesas aduaneiras;
- armazenagem;
- transporte nacional;
- despesas relacionadas ao desembaraço;
- outras despesas diretamente relacionadas à aquisição.
Imagine que uma empresa compre R$30.000 em produtos no exterior.
Se os impostos, transporte e demais despesas somarem R$12.000, o custo total da operação será significativamente maior do que os R$30.000 inicialmente pagos.
Portanto, utilizar apenas o valor da invoice para calcular a margem pode gerar uma visão distorcida da rentabilidade.
Como a importação afeta o estoque?
A importação também exige atenção ao controle de estoque.
A empresa precisa registrar corretamente a entrada dos produtos e acompanhar o custo de aquisição.
Além disso, quando existem diferentes lotes de importação, os custos podem variar entre uma operação e outra.
Consequentemente, a empresa precisa manter um controle organizado para saber quanto realmente investiu no estoque.
Esse cuidado também contribui para uma análise mais precisa da margem de lucro.
Cuidados contábeis na importação
A contabilidade precisa receber informações completas sobre a operação.
Por isso, o empreendedor deve encaminhar os documentos relacionados à importação e manter os comprovantes organizados.
Além disso, é importante garantir que os valores registrados na contabilidade estejam alinhados com os documentos fiscais e aduaneiros.
Entre os principais cuidados estão:
- registrar corretamente a entrada da mercadoria;
- controlar os custos da importação;
- conferir os impostos;
- conciliar pagamentos;
- acompanhar o estoque;
- organizar os documentos;
- verificar eventuais créditos tributários;
- manter as informações fiscais atualizadas.
Dessa forma, a contabilidade consegue representar melhor a realidade financeira da empresa.
Importação e formação do preço de venda
A importação interfere diretamente na precificação.
Se o empreendedor considera apenas o preço pago ao fornecedor, pode estabelecer um valor de venda que não cobre todos os custos.
Além disso, o e-commerce possui outras despesas relacionadas à venda, como:
- comissão de marketplace;
- taxas de pagamento;
- publicidade;
- frete;
- embalagem;
- devoluções;
- despesas administrativas;
- custos financeiros.
Por isso, o preço precisa considerar o custo completo da mercadoria e as despesas relacionadas à comercialização.
Exemplo simplificado
Imagine uma empresa que importa um produto por R$40.
Depois de considerar tributos, frete, despesas aduaneiras e transporte nacional, o custo efetivo chega a R$65.
Se a empresa precificar o produto considerando apenas os R$40, poderá acreditar que possui uma margem maior do que realmente tem.
Consequentemente, uma importação aparentemente vantajosa pode gerar pouca rentabilidade.
Importação direta x intermediada
O e-commerce pode realizar a importação diretamente ou utilizar empresas especializadas para intermediar determinadas etapas.
Cada modelo apresenta características próprias e precisa ser analisado de acordo com o tamanho da operação, volume de mercadorias, fornecedores e estrutura da empresa.
Além disso, a forma de contratação pode alterar documentos, custos e responsabilidades.
Por isso, antes de escolher o modelo, o empreendedor deve entender exatamente quem está realizando cada etapa da operação.
Erros comuns em importações
Não calcular o custo total
Esse é um dos erros mais comuns.
O empreendedor olha apenas o preço do fornecedor e ignora impostos, frete e despesas adicionais.
Escolher o NCM incorreto
A classificação fiscal influencia a tributação e outros aspectos da importação.
Não organizar os documentos
A falta de documentação dificulta a conferência fiscal e contábil.
Não registrar corretamente a entrada
A mercadoria precisa ser integrada ao controle de estoque e à contabilidade de maneira adequada.
Ignorar o impacto no preço
Se o custo de importação aumenta, o preço de venda também pode precisar de ajustes.
Não avaliar o regime tributário
O tratamento tributário da empresa pode influenciar a operação. Por isso, a importação deve fazer parte do planejamento tributário.
Como reduzir riscos na importação?
A melhor estratégia é planejar antes de comprar.
Primeiramente, identifique corretamente os produtos e seus NCMs. Depois, faça uma simulação completa dos custos.
Em seguida, avalie o impacto dos tributos, transporte e despesas aduaneiras.
Também é importante verificar a documentação necessária e organizar os registros desde o início.
Além disso, acompanhe a margem de lucro depois da entrada da mercadoria no estoque.
Dessa forma, a empresa consegue tomar decisões com base no custo real e não apenas no preço negociado com o fornecedor.
O papel da contabilidade especializada
A importação envolve diferentes áreas ao mesmo tempo. Por isso, a empresa precisa conectar informações fiscais, contábeis, financeiras e de estoque.
Uma contabilidade especializada em e-commerce pode ajudar a analisar essas informações de forma integrada.
Além disso, o acompanhamento profissional pode contribuir para identificar inconsistências, organizar documentos e avaliar o impacto tributário da operação.
A Keycont, contabilidade especializada em e-commerce, auxilia empresas que vendem pela internet na organização fiscal e contábil, inclusive em operações que envolvem mercadorias importadas.
Conclusão
A importação para e-commerce pode ser uma estratégia interessante para ampliar o catálogo e melhorar a competitividade. Entretanto, o processo exige planejamento e conhecimento dos custos envolvidos.
Impostos, frete, despesas aduaneiras, documentação e controle de estoque precisam fazer parte da análise desde o início.
Além disso, a correta classificação fiscal e o registro adequado da entrada das mercadorias ajudam a manter a operação organizada.
Portanto, antes de importar, não analise apenas o preço oferecido pelo fornecedor. Avalie o custo completo, o impacto tributário e a margem esperada.
Com planejamento e acompanhamento especializado, o e-commerce consegue importar com mais segurança e tomar decisões melhores para o crescimento do negócio.
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